Em busca do tempo perdido
Mania no DF nas duas últimas temporadas, esporte quase sumiu do mapa em 2004. Circuito nacional, porém, é dominado por brasilienses
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Leonardo Meireles - Da equipe do Correio

Marcelo Ferreira/CB
Atletas da Martim Pescador/Caliandra: prova internacional na Bahia

Uma olhada rápida no ranking brasileiro de corrida de aventura chama a atenção para a boa presença de brasilienses. Em primeiro lugar está a equipe Oskalunga Brasil Telecom, enquanto os também candangos do Martim Pescador/Caliandra ocupam a quinta posição.

Mas santo de casa não faz milagre, e o que parecia uma febre na cidade nos dois últimos anos, hoje já não está tão na moda assim. No ano passado, por exemplo, aconteceram nove provas no Centro-Oeste, a maioria organizada por brasilienses. Neste ano, apenas duas apareceram no calendário da região.

Acabou o interesse? Nem atletas, nem organizadores acreditam nisso. Alguns acham que é apenas uma acomodação entre oferta e demanda. Mas todos concordam que falta visão ao empresariado e aos governos estaduais. Principalmente às empresas privadas, que são as principais responsáveis pelas corridas de aventura no mundo — e lucram com isso.

Criada no início dos anos 80 na Nova Zelândia, a corrida de aventura reúne vários esportes ligados à natureza, como canoagem, trekking (caminhada), canyoning (exploração de cânions com escalada, natação e caminhada) e mountain bike. A maioria das provas dura entre dois dias e uma semana. Mas as corridas de aventura nacionais e internacionais podem chegar a 12 dias ininterruptos.

Recursos
‘‘A maior dificuldadecaptar recursos’’, conta Ney Gonçalves, 38 anos, responsável pela da segunda corrida de aventura realizada no Brasil, em 2000. Para ele, é como um círculo: não há dinheiro, então não dá para fazer um evento de grande porte e aí não aparecem tantas equipes nem o tão sonhado patrocinador.

‘‘Eu fazia provas que se sustentavam com o dinheiro das inscrições. A infra-estrutura era precária. Tínhamos problemas de segurança, mesmo. Não valia a pena continuar’’, explicou o empresário, dono da Azimute. Há apenas uma empresa na ativa, a PC Zero, de Goiânia, responsável por uma das duas corridas realizadas na região, em agosto. A outra, no mês passado, teve organização da equipe Oskalunga. Brasília tem outra empresa especializada, a Desbrava, que neste ano só fez os 100km do Cerrado de ciclismo.

Diana Nishimura trabalhou nessa prova e também organizou corridas. Pioneira do esporte na região, em 1999, ela diz que o problema é o dinheiro. ‘‘Vou atrás de supermercado para eles me darem R$ 500. Ninguém olha o esporte em Brasília de maneira ambiciosa’’, opina Diana (Nutrisport/Teve/Listerine).
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Erro de cálculo

Os atletas acreditam que realmente falta dinheiro dos patrocinadores para as provas voltarem a acontecer no Centro-Oeste. Mas há problemas na construção de uma tradição da corrida de aventura. ‘‘Os organizadores faziam as provas contando que iriam mostrar trabalho e depois teriam lucro, mas isso não aconteceu’’, lembra Alexandre Carrijo, capitão da equipe Martim Pescador/Caliandra (Green’s/Nutriativa/Academia Equilibrium/Canuí).

Alexandre tem exemplos de que primeiro deve haver um investimento para depois buscar resultados ou mais provas. Em um evento feito pela TIM em Brasília, com muito dinheiro envolvido, mais de 50 equipes participaram. Quando a Brasil Telecom resolveu patrocinar Oskalunga, o time cresceu e hoje lidera o ranking nacional. ‘‘Os poucos apoiadores que aparecem dão o suspiro que nos leva a um quinto lugar no ranking’’, completa, citando seu próprio time.

Já Monclair Cammarota, do Oskalunga, acredita que pode ter acontecido uma oferta mal calculada. ‘‘As provas eram boas, mas difíceis demais para o nível das equipes’’, arrisca. E cita a experiência de São Paulo entre 2001 e 2002. Os organizadores paulistas deixaram de fazer competições de 100km e 200km, com a participação de 20 a 30 equipes, para montarem eventos curtos, de 50km, com 100 times. (LM)
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Reis fora de casa

Se as provas se tornam escassas no Centro-Oeste, as equipes de Brasília mostram que o esporte está longe de morrer. São três os times com integrantes da cidade que participarão da maior corrida de aventura do Brasil no ano, a Ecomotion/Pro, de 17 a 23 de outubro. Ela será feita na Costa do Dendê, na Bahia, e também faz parte do ARW Series, o circuito mundial da modalidade.

Assim, Oskalunga Brasil Telecom, Martim Pescador/Caliandra e Cangaceiros enfrentarão não só equipes brasileiras — que até agora chegam a 33 —, mas também cerca de 25 times de fora. Todos terão pela frente 480km de percurso, com provas de orientação, trekking, mountain bike, natação, canoagem, costeira (caminhada na praia) e técnicas verticais. Em busca de uma premiação total de US$ 50 mil — US$ 35 mil para a primeira colocação.

‘‘Vamos lá para ganhar. É o que nós queremos, e nos preparamos durante um ano para isso’’, garante Frederico Gall, o Lico, um dos integrantes do Oskalunga. Além dele, o grupo tem Monclair Cammarota, Guilherme Pahl e Fernanda Maciel. Na verdade, a mineira Fernanda entrou no lugar da titular, Bárbara Bomfim, machucada. ‘‘Mas a Fernanda está muito bem. Das cinco corridas que participamos com ela, ganhamos quatro e ficamos em segundo em outra’’, atesta Monclair, que no Ecomotion/Pro do ano passado, na Chapada Diamantina, também na Bahia, chegou em terceiro lugar com sua equipe.

Sem medo
O Martim Pescador/Caliandra tem atletas experientes e é quinta no ranking brasileiro, mas ainda é um time novato em questão de provas grandes. ‘‘Nossa maior tinha sido de 300km. Essa agora é a maior de nossas vidas’’, conta o capitão Alexandre Carrijo, 30 anos. Ele competirá ao lado de Larissa Lima, 31, e os irmãos Enrico, 34, e Luciano Favilla, 32. Medo? Nenhum, segundo eles.

Principalmente porque Larissa trabalhou na organização da prova no ano passado e Alexandre esteve em uma das maiores corridas de aventura do mundo, na Nova Zelândia. ‘‘Foi uma boa experiência, até mesmo como atleta’’, afirma Larissa. ‘‘Estou absolutamente segura em fazer essa prova’’, garante. Também, depois de pagar R$ 11 mil para participar do Ecomotion/Pro — entre inscrição, passagens e outros gastos —, era necessário. ‘‘Temos a ambição de ficar entre os 10 primeiros’’, informa Alexandre.

Por fim, a equipe Cangaceiros tem dois brasilienses em suas fileiras: o professor de educação física Adolfo Perdigão e a faz-tudo Diana Nishimura. Mas, por causa de uma contusão na clavícula, ela irá somente como apoio. De resto, um potiguar, um cearense e uma argentina. ‘‘Vamos lá para conhecer aquele paraíso ecológico e fazer muita força’’, brinca Adolfo, que foi 11º colocado de 2003, com a equipe montada pela internet. Ele se mostrou um estudioso da prova ao contar o que vão encontrar por lá. ‘‘Vamos ter muitas trocas de modalidades e muitas provas na água. Eles vão fazer a gente sofrer um pouco mais do que no ano passado’’, sorri. (LM)

 


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O que significa CALIANDRA?



CALIANDRA é uma flor do cerrado, da família das leguminosas. É originária do Brasil e cresce em arbustos de até 4 metros. As flores aparecem na primavera e no verão.

 

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